segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Superfantástico cober by me + letra e cifra

Se você é como eu, cresceu e não envelheceu, até por que só fica velho quem quer, essa música é pra você. Com o passar do tempo nos tornamos apenas mais responsáveis (pelo menos deveríamos rs) e experientes mas a criança dentro de cada um precisa respirar pra que a gente viva verdadeiramente.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A (des)categorização dos estilos musicais

por Nivea Lazaro. Nivea Lazaro é mestre em Ciência da Arte pela UFF com pesquisa nas áreas de Etnomusicologia, Música e Antropologia. É professora de inglês e português. Atualmente, está desenvolvendo projetos culturais e gosta muito de desbravar esse vasto Brasil que Deus criou.

Antes de qualquer coisa, preciso avisar: minhas incursões em Etnomusicologia levam-me a pensar que a música não pode ser dissociada de sua função social. Sim. Há uma música para casamento, uma música para sala de concertos, outra para arenas e palcos. Ou ninguém nunca se perguntou como seria ouvir Beethoven em um intervalo de jogo do Flamengo X Vasco no Maracanã? Ou como seria ouvir forró eletrônico em uma cerimônia de casamento? Ok. Exemplos extremos, mas apontam para nossa relação cultural com a música.

Outro ponto importante: se, através da música se traduzem hábitos, costumes e fazeres de uma dada comunidade, toda música, como colocou o etnomusicólogo John Blacking, é “música folclórica”. Toda música revela em si uma transcrição etnográfica. E mais: cada obra, cada peça é uma síntese do que o seu autor entende por seu espaço e tempo presente (seja esse tempo cronológico ou não), por extensão, uma síntese deste mesmo espaço e tempo.

Em cada movimento musical, a quebra de paradigmas, o conceito de rompimento, de revolução se realiza na medida em que este movimento se aproxima ou se distancia de um fazer cultural. Usar uma guitarra elétrica em um festival de música “country” nos Estados Unidos onde, até então, só se usavam violões é quebrar um paradigma. Queimar guitarras, destruir equipamentos quando ninguém havia feito o mesmo é quebrar paradigmas. Assim como é também compor “loas para o justo” (loas = louvor) e falar do Deus cristão e a relação do homem do campo com este mesmo Deus para um público diverso e não necessariamente cristão é quebrar paradigmas.

Curiosamente, o último exemplo acima não é de nenhum músico/ compositor “gospel”. Tampouco de alguém que toque em rádios (de qualquer segmentação). O exemplo acima vem de um compositor brasileiro, do interior da Bahia, que tanto se distancia do “axé music” quanto um peixe se distancia da... Terra.

Pode-se colocar a questão desta forma: o que legitima um estilo musical (como o conhece seus ouvintes) não está nos fatores intrínsecos à estrutura de uma determinada obra, mas são, antes, contribuições culturais de uma sociedade. Dentro desta perspectiva, compreende-se porque as obras do compositor mencionado anteriormente – também autor de uma antífona chamada “Ecos de uma estrofe de Habacuque” (e tantas outras peças que versam sobre Deus) – são geralmente classificadas como “música regional”, mas não cabem sob o rótulo de “gospel” (“Habacuque”, aliás, é um nome que, em si, não soa muito “gospel” mesmo).

Contudo, somos seres que necessitam da finitude veiculada pela categorização. É a categorização que nos facilita a percepção, o reconhecimento de dadas formas e, portanto, a ampliação dos nossos conhecimentos. Temos a possibilidade de criar e ressignificar categorias. Poderíamos, por exemplo, compreender uma “música regional” como uma música produzida na região sudeste. E por que não o fazemos? Novamente, nos deparamos com o dilema: o que vem primeiro? A categorização ou a reafirmação de tais rótulos?

Penso que a saída possível para tal dilema seja exatamente cumprir o que fomos chamados a cumprir: quebrar paradigmas. Ressignificar categorias, se necessário. Categorizá-las, mas à luz da referência maior que são as Escrituras. Como foi tão bem colocado por Marcos Monteiro (neste mesmo sítio: “A cultura como o lugar de celebração da alteridade: um desafio ético”), teologia e cultura são duas realidades que dialogam entre si e, música, portanto, é também uma expressão de realidade que precisa ser vista sob os auspícios dos valores de Cristo.

*Contribuiram para esta reflexão o artigo de Marcos Monteiro e de Daniel Guanaes neste mesmo site, toda a obra do mestre Elomar Figueira Mello, tema da minha dissertação e, claro, o discurso antológico (e magnífico) de Paulo em Atenas (Atos: 17).

valiosos tempos maduros

Pesquei esse texto no Blog do meu amigo Sergio A. Moura

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente
do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

’As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade...

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!


Mário de Andrade

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Jazon Mraz - God rests in reason



"you were born together
and together ye shall be forever
until death should scatter
it wouldn't matter in the memory of God above
let the wind of heaven dance between you too
allow the space and time to bring you closer to everlasting love
cause God moves
what do you do
God moves through you

when love beckons
his ways are often hard and steep
when his wings unfold
ye yield to all he speaks
the soul it might be hidden there among his pinions
oh you may wear a wound that truly spoke to you
believe in all that voice and follow through
follow so on and on

what do you do when God moves through you
what do you do
say i do
i do

just remember love possesses nothing
nor would it ever be possessed
oh love is love sufficient unto love
and you can figure out the rest

your children will not be your children
they are the daughters and the son of a beginning
they'll come through your womb but not be coming from you
they will be with you but do not belong to you
you may give them your love but not your thoughts
then they'll arrive with their own hearts
they're the coming of angels this blessed season
and then they'll sing oh how God rests in reason
God rests in reason

so what do you do
ooh when God moves through you
what do you do
say i do
i do

think not you can direct the course of
love itself directs the course allowed
believe not God is in your heart, child
but rather you're in the heart of God

what do you do
say i do
i do
i do

think not you can direct the course of
love itselfs directs the course allowed
believe not God is in your heart, child
but rather you're in the heart of God

what do you do
ooh when God moves through you
remember God rests in reason
say i do
i do"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saúde Mental - Rubem Alves

por favor, leia esse texto. se não tiver tempo agora volte depois ou salve-o em sua máquina.

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.


Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.


Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.


Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.


Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito.

O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele.

Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias. Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o rock pode ser tomado à vontade.

Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.

domingo, 15 de agosto de 2010

documentário - vida sobre rodas



"preso à canções, entregue a paixões que nunca tiveram fim" Milton Nascimento - o skate é uma dessas paixões intermináveis.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O sabor e o saber





Eu não quero a lógica das palavras
Eu quero o sabor
A palavra tem mais sentido se for sentida
Na pele, no corpo, nas víceras, nos ossos.
No olhar, no abraço, na carne.
No cansaço.... sim, no cansaço de ter se envolvido
A mente não vai muito longe sozinha
Se perde na ilusão de um dia ter sabido
Jamais saberá o bastante
A alma leva consigo as marcas significativas
De um dia ter vivido, ter sentido para si mesma e para o outro
Por isso é que eu não quero amar a sabedoria apenas;
Quero o sabor das poesias.
Se a poesia não me quiser?
Pelo menos a terei desfrutado
Ainda que de longe

jasieLCalixto

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Leve and leave


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Se a mente está leve posso ir a qualquer lugar. Posso criar, sonhar, sentir, partir e descobrir que cada instante é na verdade aquilo que temos de mais importante. Não desmerecendo o que ainda não veio a ser, mas sabendo que o que será dependente do que já é.

jasieLCalixto